Regime de caixa e regime de competência: por que seus relatórios não batem
É uma conversa que se repete em todo escritório de contabilidade. O cliente abre a DRE, vê lucro, olha o extrato e vê aperto. Pergunta, com razão, qual dos dois está certo. A resposta é que os dois estão, porque medem coisas diferentes.
Regime de competência
Registra o fato quando ele acontece, independentemente do dinheiro. Venda feita em março, para receber em maio, é receita de março. Aluguel de abril pago em maio é despesa de abril.
É o regime obrigatório na contabilidade formal, e é o que mostra se o negócio é rentável, porque casa a receita com o custo que a gerou.
Regime de caixa
Registra quando o dinheiro se move. Aquela venda de março aparece em maio, quando o cliente pagou.
É o regime do fluxo de caixa, e é o que mostra se a empresa consegue pagar as contas do mês que vem.
Um exemplo que deixa claro
Em março você vende R$ 50 mil, com custo de R$ 30 mil, para receber em 60 dias. Pagou o fornecedor à vista.
- Por competência: março teve R$ 20 mil de lucro.
- Por caixa: março teve R$ 30 mil de saída e nenhuma entrada.
Os dois estão corretos. A empresa é lucrativa e, ao mesmo tempo, está sem dinheiro. É exatamente assim que empresas rentáveis quebram.
Qual usar para quê
- Decidir preço, mix e rentabilidade: competência.
- Decidir se dá para contratar, comprar ou antecipar: caixa.
- Falar com banco, sócio ou comprador: competência, que é a linguagem da contabilidade.
- Dormir tranquilo no dia 25: caixa.
Em resumo
Acompanhe os dois. Competência responde se o negócio vale a pena; caixa responde se ele chega até lá. Usar só um dos dois é enxergar metade da empresa.