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Debitei Contabilidade

Empreendedorismo e Gestão

Primeiro funcionário: o que muda na empresa e quanto custa de verdade

Contratar o primeiro funcionário é um marco e também uma mudança estrutural. A empresa passa a ter folha, obrigações mensais novas e um custo recorrente que não some quando o mês é fraco.

O custo real de um salário

Sobre o salário combinado incidem encargos e provisões. No Simples Nacional a carga é menor, porque a contribuição previdenciária patronal já está no DAS para boa parte dos anexos.

  • FGTS: 8% sobre a remuneração, mensal.
  • INSS patronal: fora do Simples, cerca de 20% mais terceiros e RAT.
  • 13º salário: provisão de 1/12 por mês.
  • Férias mais um terço: provisão de aproximadamente 1/9 por mês.
  • Benefícios: vale-transporte, alimentação e o que a convenção coletiva exigir.

Uma regra prática: no Simples, o custo total costuma ficar entre 1,3 e 1,5 vez o salário. Fora do Simples, pode passar de 1,7. Provisionar esse valor todo mês evita o aperto clássico de novembro, quando o 13º chega.

O que a empresa passa a fazer todo mês

  • Folha de pagamento e recibo assinado.
  • eSocial e DCTFWeb, com os eventos de admissão, afastamento e remuneração.
  • Recolhimento de FGTS e das contribuições previdenciárias.
  • Controle de ponto, obrigatório a partir de 20 empregados e recomendável desde o primeiro.
  • Exames admissional, periódico e demissional, além dos programas de saúde e segurança aplicáveis.

Antes de assinar a carteira

  • Consulte a convenção coletiva da categoria. Ela define piso salarial, benefícios obrigatórios e regras próprias, e se sobrepõe ao combinado informal.
  • Verifique se a função exige registro profissional.
  • Defina jornada, local de trabalho e, se for o caso, regras de trabalho remoto no contrato.
  • Confirme se o seu CNAE e o grau de risco estão corretos, porque eles afetam encargos e exigências de segurança.

Alternativas, com cuidado

Estágio, aprendiz, trabalho intermitente e contratação de PJ são formatos válidos, cada um com requisitos próprios. Usar um deles para disfarçar relação de emprego é o caminho mais curto para um processo trabalhista com reconhecimento de vínculo e cobrança retroativa.

Se há pessoalidade, subordinação, habitualidade e salário, há vínculo, qualquer que seja o nome do contrato.

Em resumo

Multiplique o salário por 1,4 para ter a ordem de grandeza, provisione todo mês e leia a convenção coletiva antes de combinar qualquer coisa. Contratar certo custa menos do que corrigir depois.